As vezes sinto como se fosse o reflexo daquilo que as pessoas realmente querem que eu seja.
Como se aquilo que sou não as preenchesse, não as satisfizesse.
Na verdade pensando mais sobre o assunto percebi que quem não se satisfaz sou eu.
Quem quer sempre ser mais sou eu.
Não julgo isso como ruim, já que sempre busco ser mais completa, porém ultimamente tenho notado um querer contrário nas pessoas...
Quando dou o máximo que posso, parece que excedi um limite.
Quando me entrego por inteiro, quando não deixo uma lasquinha se quer se destacar de mim, parece que fui mais do que deveria.
Oras, estou cansada de tentar e tentar. Ficar tentando não dá, não resolve meu problema.
Não quero ser isso.
Quero ser eu.
Quero ser falta e excesso.
Claro e escuro.
Quero ser tudo ou então não serei nada.
Fico me espremendo, me comprimindo, me medindo, me tomando por inteiro para então descobrir que assim não agrada, não sustenta.
Fico tentando encontrar palavras, anseios, motivos, mas esses não são suficientes para calar o que realmente habita em mim. E o que realmente habita em mim não quer ser calado, nem mascarado.
Essas reclamações infundadas de verdades mal contadas me deixam num estado tão triste que poderia até dizer que é eterno.
Me corrói aos poucos e tira toda essa imortalidade que tem de ser o momento.
Pelo menos o meu momento eu sei que tem que ser eterno.
E é essa eternidade que quero preservar.
Não me peça para ser metade nem o dobro daquilo que sou.
Eu não sou como um número que pode ser dividido, multiplicado, somado e subtraido.
Sou como uma palavra que pode ter vários significados, traduções e erros de ortografia, porém nunca deixará de ser aquilo que realmente É.
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